Obra conta em detalhes as ações de líderes da Máfia, como Meyer Lansky e Charles “Lucky”, a relação do governo da ilha caribenha com os Estados Unidos, Fidel Castro e Che Guevara. Contempla ainda riquíssimo álbum de fotos, inclusive com imagem de pocket show de
Frank Sinatra para mafiosos em Havana, em 1947
Bem antes de Fidel e Che desfilarem pelas ruas da capital cubana ou do embargo econômico que os Estados Unidos iriam impor a partir do golpe conta Fulgencio Batista, Cuba, em especial Havana , era o parque de diversões de mafiosos, celebridades e autoridades do mundo inteiro. Os investimentos norte-americanos na ilha, para se ter uma idéia, saltaram de 142 para 952 milhões de dólares no decorrer da década de 50. Neste período, crimes, política, drogas, luxo e muita jogatina tomavam conta da capital da mais famosa ilha do Caribe. É este pouco explorado trecho da história que é dividido com os leitores em O Noturno de Havana - Como a Máfia Conquistou Cuba e a perdeu para a Revolução, obra assinada pelo escritor americano T.J. English e que chega ao Brasil pela Editora Seoman, com tradução de Santiago Nazarian.
Mas, antes de todos esses acontecimentos, é preciso voltar a origem da questão. O Noturno de Havana parte da invasão de mafiosos americanos à Cuba, entre as décadas de 40 e 50: a maior parte deles fez fortuna durante “os gloriosos dias” de Lei Seca nos Estados Unidos fabricando e vendendo clandestinamente bebida alcoólica. De acordo com T.J. English, Havana era um verdadeiro playground para os líderes da máfia. Seus hotéis de luxo e cassinos formavam uma rede de entretenimento responsável por uma explosão turística sem precedentes na história. “É verdade que Cuba tinha um dos padrões de vida mais altos da América Latina, mas essa prosperidade não era espalhada homogeneamente pela nação”, afirma T.J. logo na introdução da obra. Fome, analfabetismo e altos indíces de mortalidade infantil eram enfermidades sociais visíveis nas ruas de Havana.
O baralho da Máfia
Provocado após a leitura da introdução, o leitor se depara com o primeiro capítulo do livro, intitulado O Sortudo Lucky. O protagonista em questão é Charles Luciano (ao centro da foto), apelidado Lucky, natural de Nápoles, Itália – conhecido reduto de mafiosos. Ele chegou à Cuba em 29 de outubro de 1946, após passar longos dez anos na prisão. Lá foi recebido pelo seu velho amigo, Meyer Lansky. Este, já chefe de jogatinas poderoso e reconhecido na ilha, cuidou para que não houvesse problemas na passagem de Lucky pela alfândega do aeroporto. Também não tardou a reencontrar o senador e narcotraficante (é isso mesmo), Suarez Rivas. Rapidamente, Lucky se tornou homem forte da Máfia Americana em Cuba.
Fulgêncio, Fidel e Che
Em 10 de março de 1952, Fulgencio Batista y Zaldívar retomou o poder em Cuba. Ele já havia presidido a ilha entre 33 e 44 e, de acordo com as argumentações de T. J. English, não derramou uma só gota de sangue para retomar o poder. “Batista desfrutava de uma relação especial com os militares, uma vez que foi erguido do posto de soldado raso a sargento coronel antes de se tornar presidente”.
Sobre o autor
T. J. English é o autor de Paddy Whacked e The Westies, ambos best-sellers americanos, e Born to Kill: America 's Most Notorious Vietnamese Gang and the Changing Force of Organized Crime, que foi nomeado para o Edgar Award. Ele escreveu para Esquire, Playboy e a revista New York, entre outras publicações. Entre seus créditos como roteirista estão episódios de séries para a televisão como NYPD Blue e Homicide, pelo qual ele recebeu o Humanitas Prize. Atualmente, vive na cidade de Nova York.
