terça-feira, 14 de junho de 2011

Chega às livrarias O Noturno de Havana - Como a Máfia Conquistou Cuba e a perdeu para a Revolução

Obra conta em detalhes as ações de líderes da Máfia, como Meyer Lansky e Charles “Lucky”,  a relação do governo da ilha caribenha com os Estados Unidos, Fidel Castro e Che Guevara.  Contempla ainda riquíssimo álbum de fotos, inclusive com imagem de pocket show de
Frank Sinatra para mafiosos em Havana, em 1947 


Bem antes de Fidel e Che desfilarem pelas ruas da capital cubana ou do embargo econômico que os Estados Unidos iriam impor a partir do golpe conta Fulgencio Batista, Cuba, em especial Havana, era o parque de diversões de mafiosos, celebridades e autoridades do mundo inteiro. Os investimentos norte-americanos na ilha, para se ter uma idéia, saltaram de 142 para 952 milhões de dólares no decorrer da década de 50. Neste período, crimes, política, drogas, luxo e muita jogatina tomavam conta da capital da mais famosa ilha do Caribe. É este pouco explorado trecho da história que é dividido com os leitores em O Noturno de Havana -  Como a Máfia Conquistou Cuba e a perdeu para a Revolução, obra assinada pelo escritor americano T.J. English e que chega ao Brasil pela Editora Seoman, com tradução de Santiago Nazarian.

Organizado em duas partes e 14 capítulos, o livro reúne pesquisa profunda do autor - incluindo entrevistas com sobreviventes da época – além de registros fotográficos raríssimos. Para citar alguns exemplos, Frank Sinatra (à direita) em um hotel se apresentando para um seleto grupo de mafiosos em Havana (1947); vítimas de uma das muitas chacinas ordenadas por Fulgencio Batista; o gangster Benjamin “Bugsy” Siegel clicado ainda na cena em que fora assassinado; Fidel e os primeiros combates na selva cubana (à esquerda); e o  Senador John F. Kennedy em um quarto de hotel: segundo o autor, em dezembro de 1957, Kennedy participou de uma orgia bancada por Santo Trafficante.
Mas, antes de todos esses acontecimentos, é preciso voltar a origem da questão. O Noturno de Havana parte da invasão de mafiosos americanos à Cuba, entre as décadas de 40 e 50: a maior parte deles fez fortuna durante “os gloriosos dias” de Lei Seca nos Estados Unidos fabricando e vendendo clandestinamente bebida alcoólica. De acordo com T.J. English, Havana era um verdadeiro playground para os líderes da máfia. Seus hotéis de luxo e cassinos formavam uma rede de entretenimento responsável por uma explosão turística sem precedentes na história. “É verdade que Cuba tinha um dos padrões de vida mais altos da América Latina, mas essa prosperidade não era espalhada homogeneamente pela nação”, afirma T.J. logo na introdução da obra. Fome, analfabetismo e altos indíces de mortalidade infantil eram enfermidades sociais visíveis nas ruas de Havana.

O baralho da Máfia
Provocado após a leitura da introdução, o leitor se depara com o primeiro capítulo do livro, intitulado O Sortudo Lucky. O protagonista em questão é Charles Luciano (ao centro da foto), apelidado Lucky, natural de Nápoles, Itália – conhecido reduto de mafiosos. Ele chegou à Cuba em 29 de outubro de 1946, após passar longos dez anos na prisão. Lá foi recebido pelo seu velho amigo, Meyer Lansky. Este, já chefe de jogatinas poderoso e reconhecido na ilha, cuidou para que não houvesse problemas na passagem de Lucky pela alfândega do aeroporto. Também não tardou a reencontrar o senador e narcotraficante (é isso mesmo), Suarez Rivas. Rapidamente, Lucky se tornou homem forte da Máfia Americana em Cuba.   

Mais adiante, a publicação cita um curioso e importante momento: a Conferência da Máfia de Havana, registrada inclusive no celebrado filme O Poderoso Chefão Parte II, de Francis Ford Coppola. O evento reuniu gângsters de diversas partes dos Estados Unidos, como Nova York, Chicago e Cleveland. Neste grupo haviam representantes e herdeiros da máfia siciliana, como Carlos Marcello. Vale destaque também para Santo Trafficante (de chapéu) que, aos 33 anos, era o mais jovem mafioso presente na reunião. Decisões, assassinatos, drogas, prostitutas e celebridades. Trafficante, Lucky e Lansky eram, em meados dos anos 50, os “reis de Cuba”. Mas as coisas iriam começar a mudar...

Fulgêncio, Fidel e Che
Em 10 de março de 1952, Fulgencio Batista y Zaldívar retomou o poder em Cuba. Ele já havia presidido a ilha entre 33 e 44 e, de acordo com as argumentações de T. J. English, não derramou uma só gota de sangue para retomar o poder. “Batista desfrutava de uma relação especial com os militares, uma vez que foi erguido do posto de soldado raso a sargento coronel antes de se tornar presidente”.

Para a máfia, a chegada ao poder de Fulgencio não era um problema, até porque o coronel via com bons olhos os milhões ali movimentados, além do potencial turístico que as apostas desenfreadas geravam. No entanto, o líder máximo da nação era altamente violento na repressão aos seus oposicionistas. Chacinas eram acontecimentos cotidianos nas ruas de Havana (imagem à esquerda). Esta postura estimulou ainda mais a oposição. Que começou a se organizar. Na liderança deste grupo, Fidel e Che.

A partir daí, não demorou muito para que as ambições da Máfia colidissem com os sonhos e ideais dos comunistas, cujos detalhes o autor captura, em uma batalha cultural épica. Em O Noturno de Havana -  Como a Máfia Conquistou Cuba e a perdeu para a Revolução Cubana, T.J English revela os detalhes desse emblemático período. A história já nos contou o fim.

Sobre o autor
T. J. English é o autor de Paddy Whacked e The Westies, ambos best-sellers americanos, e Born to Kill: America's Most Notorious Vietnamese Gang and the Changing Force of Organized Crime, que foi nomeado para o Edgar Award. Ele escreveu para Esquire, Playboy e a revista New York, entre outras publicações. Entre seus créditos como roteirista estão episódios de séries para a televisão como NYPD Blue e Homicide, pelo qual ele recebeu o Humanitas Prize. Atualmente, vive na cidade de Nova York. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Tempo

Acho incrível essa matemática do tempo.
O rumo que segue só pra frente, fazendo do passado, ausente;
do presente, instante; e o privilégio do futuro guardado aos persistentes.

Acho incrível, assim, a matemática do tempo.
O presente encorpado pelo passado, o futuro consciente a milhão na contramão que invade, determina, direciona as ações no tempo presente...

Presente nas mentes inquietantes de quem vive o passado ou o futuro, o medo paralisante do tempo presente...

Aquele que, em tempo presente, não ouve o sussurro que houve em tempo presente.

Acho incrível essa matemática do tempo,
Essa ciência exata fulminante neste aparente subjetivo acaso.
Empunhando a vela de acordo com o sopro do vento.