O simbólico sorriso da pequena Isabella - exposto pela imprensa brasileira como banana na feira, assim como a estampa de Guevara em camisetas por aí - é retrato do que nem se remedia, nem se cura: se vende e é o que importa.
Pipoqueiros, flanelinhas, curiosos e “indignados” torciam com intensidade maior do que a Fiel Torcida pela condenação de Alexandre e Ana Carolina Jatobá – a madrasta. Aliás, a vilã perfeita para feitura de qualquer novela: bonitinha, ordinária e ainda por cima madrasta. Isabella, na ocasião, mera coadjuvante. Muitas pessoas sorriam envoltas em bandeiras do Brasil, num tom patriótico e coletivo absolutamente desprezível quando o que está em jogo é a memória única, individual e íntima de um ser humano.
O promotor Francisco Cembranelli desempenhou com eficiência sua tarefa e condenou o casal, num julgamento longo e cansativo. Ao fim do excelente trabalho, durante entrevista coletiva, porém, disse que a “postura da defesa valorizou a vitória da promotoria”. A frase estava dentro de um contexto amplo, lógico, mas sem querer colaborou para a atmosfera futebolística criada no local. Mano Menezes dá resposta semelhante ao fim das partidas.
Sobre a Jatobá: sairá da prisão em 8 anos e continuará bonitinha. Deve se casar e ter filhos. Guilherme de Pádua, que matou Daniela Perez a tesouradas em 1992, é referência semelhante: “pagou” pelo crime neste mundo cumprindo sua pena e, ao se converter evangélico, “fez acordo” com a chefia. Está livre e casado, inclusive. De certo que está mais feliz do que a mãe da moça assassinada – para a qual não foi ofertada proposta: teve de enterrar a sua própria filha e fim.
O caso do ônibus 174 virou filme. Certamente este também vai virar. Pela memória da pequena, algo que pouco se fala – e que, aliás, leva o nome da filha que um dia terei - proporcionem um final mais real que a realidade. Chamem o Tarantino para a direção.
Talvez os gordinhos apresentadores de jornais policiais fossem arremessados pela janela do Edifício London. Talvez o pipoqueiro surgisse com o mastro da bandeira brasileira atravessando o reto e saindo pela garganta. Talvez a madrasta fosse estuprada e esquartejada por Guilherme de Pádua na presença do Marido – que a ama tanto ao ponto de se livrar de uma prova de um crime: esta, por infelicidade do destino, a sua filha.
Não estou condenando ou ofendendo ninguém. Trata-se de mera ficção, assim como o caso Isabella, pela forma que nos foi contado.
Vai uma pipoquinha aí ?
E.C


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beijos
ps: curti esse texto, fala muita a vdd. estamos vitimas e contos de fadas.